Quando comecei a escrever este post, não sabia que iria escrever tanto. Por esse motivo, sei que infelizmente metade das pessoas não o vão ler. Mas se puderem ler e puderem deixar um comentário, eu ficaria imensamente grato! É apenas uma pequena forma de saber que o meu trabalho é lido e talvez apreciado.
Devo dizer que viajar de comboio pode ser uma experiência muito interessante sobretudo quando nos pomos a olhar em volta a reparar nas pessoas que nos rodeiam.
Muitas pessoas possuem o aspecto mais “normal” possível sem nada de peculiar, enquanto outras se destacam por algum detalhe; seja porque vai a falar ao telemóvel e “fala” aos berros ou fala numa língua estrangeira, seja porque é uma mulher que vende queijadas no intercidades há mais de 30 anos, seja por ter um penteado maluco ou por qualquer outra coisa.

Fotografia por Ben Harris-Roxas
Devo dizer que acho as viagens em qualquer meio de tranporte muito secantes, seja de uma hora, como é o caso da viagem de comboio que faço de Pombal para Aveiro, a viagem de avião que mais meia-volta faço de Lisboa para Genebra (2h15) ou tantas outras que não vale a pena falar aqui. O interessante, é como as pessoas passam o tempo nessas “longas” viagens.
Quando viajo nos comboios, por vezes reparo nesse tipo de detalhes, seja quando vou para casa ou volto para a Universidade de Aveiro (Bela cidade, linda universidade!). Já me deparei com pessoas a falar ao telemóvel toda a viagem toda (mas nunca o fiz), a mandar sms (já, claro!
), a conversarem com o vizinho (nunca, a não ser que seja um conhecido ou que tenha de dizer que está no meu lugar muito educadamente
), a ler (já, mas pouco tempo pois fico mal-disposto depois de muito tempo
), a estudar (sim mas pouco tempo também – malandro, não queres trabalhar) ou mesmo pessoas que ligam o computador portátil, para ver algum filme (algumas vezes também faço isto) que tenham, uma série (faço isto na maioria das vezes), jogar um jogo (muito muito raro) ou mesmo ir à net com uma dessas placas de Internet móvel que são extremamente caras para o serviço prestado – tráfego incluído (razão óbvia pela qual não tenho nenhum desses chupa-dinheiro). Para dizer a verdade nem tenho muito sorte pois neste momento a bateria do meu portátil apenas dura 30min e como já referi, a viagem é de uma hora, fica curto
. Continuando, algumas pessoas apenas ouvem música com um leitor portátil mas aquelas que eu observo mais são as que dormem
Embora sendo também uma dessas pessoas, daquelas que adormecem baloiçadas pelas curvas e contra-curvas do comboio, eu ao menos sei dos possíveis perigos que espreitam. Pobre da rapariga que ia a minha frente dormindo sem saber os riscos.
Enquanto eu achei graça, por já ter feito algumas figuras de urso do mesmo género e ser humilde ao ponto de me poder rir de mim mesmo, outra moça que estava a meu lado parecia não gostar muito da visão, talvez por não ser um rapaz a dormir (lol?
). Enquanto o comboio avançava baloiçando como sempre, a cabeça da rapariga que dormia (leia-se vítima) abanava para um lado e para o outro chegando ao máximo que o pescoço permitia. Eu apenas pensei que quando acordasse a dor de pescoço seria grande. Pior veio depois, à medida que o sono ficava mais pesado, tal como muita gente incluindo eu, a moça começou a respirar pela boca. Ora quem faz o mesmo sabe que se dormir de boca aberta e sem ter a cabeça direita, o mais provável é babar-se todo. Direi apenas que no meio de tudo, a rapariga teve sorte, tinha casaco…
Para além de ter ficado com cabelo todo despenteado, ainda outro perigo espreitava. Quem adormece nos comboios, pode não acordar a tempo de sair na estação pretendida. Se ela saiu? Não sei, Aveiro chegou antes e eu tive de sair. Mas eu já tive de saltar de um comboio que já tinha começado a andar porque tinha adormecido no comboio e acordei uns minutos antes mas isso é outra história. Tive sorte nesse dia.
Em conclusão, quando andarem de comboio, pensem no que fazem, pois pode estar alguém como eu à espreita e depois aparecem num blog!
Abraço para todos…